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O profissional da dadosfera

Giselle Beiguelman, professora da FAU-USP

O primeiro Encontros com o Futuro trouxe Giselle Beiguelman, midiartista e professora da FAU-USP, para falar sobre Curadoria da Informação. O evento ocorreu em 21 de Junho na ECA-USP e foi acompanhado por profissionais de comunicação e alunos de graduação e pós-graduação da universidade.

Giselle destacou como a área vem crescendo nos últimos anos, dada a importância da internet no mundo de hoje. A professora defende que vivemos em uma dadosfera, havendo uma disposição de dados ao nosso redor como nunca antes na história.

Estes números não dizem respeito à qualidade, mas explicam e justificam a existência do curador: “Por um lado nós temos uma explosão de informação, por outro, temos de aprender a lidar com a fartura. A maior parte do que se tem é lixo, o que não significa que ele não deva ser arquivado“. Ela ainda destaca que este lixo não foi criado pela internet, mas apenas encontrou espaço para sua propagação na rede.

Esta fartura de informações tende a continuar crescendo, e lidar com ela é um grande desafio. O Google, por exemplo, só consegue varrer 5% das informações disponíveis na internet, segundo a pesquisadora. Naturalmente acabam surgindo ferramentas, como buscadores customizados, que atingem outros públicos e diversificam as informações disponíveis. A criação destas alternativas está diretamente relacionada à curadoria da informação, mas a professora deixa claro que as chamadas “tools” e “apps” não podem ser assim consideradas, pois não dão conta de tudo o que está disponível na internet.

Encontros com o Futuro em 21/06/2011

A professora explica que há três modelos de curadoria online: o curador como filtrador, o curador como agenciador e a plataforma como dispositivo curatorial. A professora considera o primeiro modelo conservador e individualista (“eu sou o que eu linko”), enquanto o curador como agenciador tem papel de criar algum ponto de tensão que faça com que os outros produzam a partir de um primeiro ponto, criando mecanismos favoráveis para que as obras se desenvolvam. O terceiro modelo considera que “as coisas são como você linka”.

Giselle Beiguelman enfatiza que a curadoria da informação é a inteligência distribuída pela rede, e a curadoria alimenta e é alimentada por essa inteligência, que tem por base uma sociedade de conhecimento. A pesquisadora ressalta que a inteligência distribuída não se mede por quantidade de likes e followers, ao contrário do que pode ser o pensamento mais comum das pessoas. “Figurar nos Trending Topics do twitter não significa absolutamente nada se isso não tiver um impacto social, se não mudar a situação de alguma coisa na sociedade. Isso, muitas vezes, nem é informação”, diz ela.

A internet causou mudanças profundas na maneira de nos relacionarmos e já está inserida no nosso cotidiano. Deste modo, o curador da informação vem naturalmente se tornando cada vez mais necessário para organizar a avalanche de dados com que nos deparamos todo dia, de modo que possamos usá-los da melhor maneira para a continuidade da produção de conhecimento. A curadoria é mais um desafio trazido pela sociedade da informação, pela dadosfera em questão citada por Gisele Beiguelmam.

Abaixo, trechos da apresentação de Giselle Beiguelman em 21/06/2011:


Links citados na palestra
Os sites e aplicativos apresentados por Giselle Beiguelman no Encontros do Futuro estão disponíveis no Delicious: http://www.delicious.com/desvirtual/ecfuturo

Sobre o evento
Encontros com o Futuro é um evento acadêmico promovido pelo Commais (Grupo de Pesquisa em Comunicação, Jornalismo e Mídias Digitais da ECA-USP). Seu principal objetivo é promover a aproximação dos pesquisadores da Comunicação com as teorias e práticas em desenvolvimento em outras áreas do conhecimento — como Física, Neurociência, Computação, Artes entre outras. Os encontros são gratuitos e ocorrem na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

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A cobertura jornalística do evento foi realizada pela JornalismoJúnior da ECA-USP.